terça-feira, 31 de julho de 2012

Ilação, Prelúdio


... Pra sempre, repetindo, atemporal, etecéteras.
Ilação
“De todos os infernos que visitei, você foi o mais bonito, o mais quente, o mais amável, o mais...” O menos? Não, o suficiente. E talvez tenha sido por isso que acabou. Você também visitou o meu inferno. Bem de perto até. E se apaixonou e sofreu e se apaixonou de novo por ele. No final, ambos visitamos os nossos infernos e conhecemos os nossos demônios e nós dois achamos tudo aquilo bonito.

Prelúdio
do alto caiu uma estrela,
um anjo negro envolto em lume
recolorindo minha íris.
e sob os selvagens azuis do céus
filmes com céus marmóreos.
eu achei um lugar pra ficar.
nos teus olhos pro teu colo
e depois pro teu passado.
veio o fogo
e eu desaprendi a dormir sozinha.
o feitiço da solidão me fez conjurá-lo,
mas então conjurar o inferno foi o que eu fiz
e desde então conjurar o inferno foi tudo que eu fiz,
porque, o sonho do amor é um compartilhado.
veio o fogaréu
perfumando o mundo com cinzas
e no céu azul-dourado
chorei ao tocar teu lado mais escuro,
mais absurdo.
risquei um fósforo
sobre meu coração combustível.
corri mais fundo pro pior escuro.
‘eu também te amo’,
um lençol molhado sobre.
toque-me! eu estou fria,
toque-me! eu estou dourada e flamejada
caindo, diminuindo, indo, indo, indo,
apagando, não vá fascinação.
mas, então veio o mal e o pecado
reclamar seu lar.
sob a sombra do ponto:
um abraço.
as lágrimas vieram do âmago
ardidas, dilacerantes.
vieram e foram.
e eu que era apenas eu,
éramos nós,
duas crianças perdidas,
perdidas no olho do furacão.

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