... heaven on earth
back again
into
under
far in between
through it
in it
and above...
(Gia Marie Carangi 1960 – 1986)
A cama do quarto ao lado rangeu. Gemidos de gozo e prazer e excitação e instinto e selvageria e sexo e sexo e sexo... A luz da varanda estava acesa. Alguém não estava feliz... ela não estava e eu também não estava...
Ninguém sabe até quando e onde e por que insistir. As pessoas nunca são do jeito que estão... levam muito tempo pra conseguir ser quem realmente são; até lá o caminho é tortuoso, é inconstante, é errado... e a gente se perde, se encontra, se perde, se afoga e então morre.
Quando eu abri a bolsa e vi a carteira de cigarros e o isqueiro vermelho, tive vontade de fumar. Fumar meu nervosismo, minha ansiedade como se o vício fosse calar o silêncio, fosse apagar o vazio. Até me vi sentada, encolhida com um cigarro na mão, uma carreira no nariz, um pico no braço e mil manchas na alma. Ainda não me perdi a ponto de esquecê-la, esquecer meu amor, esquecer minha mãe.
Emoção doentia.
Um cálice de fé laica para um ateu convicto.
Olhos lascivos que ainda não aprenderam,
presos a uma imaginação obscena.
Chove, chove, chove.
E eu, covarde, fujo,
fujo com toda a hipocrisia que o ser me garante,
fujo das nuvens que eu mesma desenhei.
Algo em mim está triste, absorto.
Obsessão em acerta com o erro consciente
e isso nem faz sentido.
Os cacos de mim abriram fogo
uns contra os outros enquanto, enquanto...
Eu quero dormir meu corpo cansado e dolorido.
Sem forças, sem querer ter forças
por uma noite, por um dia, um minuto, qualquer tempo.
Vamos deitar? Sucumbir a letargia? Afogar-nos em vícios?
Todos dizem que precisam ir, mas pra onde raios todos vão? Milhares de estrelas explodiram como os anjos caíram. Demônios. Quem há de culpar-vos ou culpar-nos por sermos jovens, infantes ou mesmo por não sermos? Com uma janela destroçada não se deve mirar o estilingue.
A água fervendo não consegue retirar as manchas da pele ainda que se esfregue até ficar rubra. E as pessoas vão dizer, vão julgar que não sou bonita, que não sou certa, que me conhecem, que sabem e então apenas nãos aparecerão antecedendo pareceres leigos ainda que eu nunca vá ser uma capa da Vogue.
'Life and death... energy and peace... If I don't stop today it was still worth it. Even the terrible mistakes I have made and would have unmade if I could... The pains that have burned me and scarred my soul… It was still worth it for have been allowed to walk where I've walked which was hell on earth... heaven on earth... back, again... into, under... far in between, through it... in it and above.’ (Gia)
P.S.: Precisa-se de um santuário muito maior do que a cabeça suvenir de cristal.
Esse texto sempre me emociona.
ResponderExcluirVê se posta direito nisso aqui, piolho!
Lov :*