... Pra sempre,
repetindo, atemporal, etecéteras.
Ilação
“De todos os infernos
que visitei, você foi o mais bonito, o mais quente, o mais amável, o mais...” O
menos? Não, o suficiente. E talvez tenha sido por isso que acabou. Você também
visitou o meu inferno. Bem de perto até. E se apaixonou e sofreu e se apaixonou
de novo por ele. No final, ambos visitamos os nossos infernos e conhecemos os
nossos demônios e nós dois achamos tudo aquilo bonito.
Prelúdio
do alto caiu uma
estrela,
um anjo negro envolto
em lume
recolorindo minha íris.
e sob os selvagens
azuis do céus
filmes com céus
marmóreos.
eu achei um lugar pra
ficar.
nos teus olhos pro teu
colo
e depois pro teu
passado.
veio o fogo
e eu desaprendi a
dormir sozinha.
o feitiço da solidão me
fez conjurá-lo,
mas então conjurar o
inferno foi o que eu fiz
e desde então conjurar
o inferno foi tudo que eu fiz,
porque, o sonho do amor
é um compartilhado.
veio o fogaréu
perfumando o mundo com
cinzas
e no céu azul-dourado
chorei ao tocar teu
lado mais escuro,
mais absurdo.
risquei um fósforo
sobre meu coração
combustível.
corri mais fundo pro
pior escuro.
‘eu também te amo’,
um lençol molhado
sobre.
toque-me! eu estou
fria,
toque-me! eu estou
dourada e flamejada
caindo, diminuindo,
indo, indo, indo,
apagando, não vá
fascinação.
mas, então veio o mal e
o pecado
reclamar seu lar.
sob a sombra do ponto:
um abraço.
as lágrimas vieram do
âmago
ardidas, dilacerantes.
vieram e foram.
e eu que era apenas eu,
éramos nós,
duas crianças perdidas,
perdidas no olho do
furacão.